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Demanda interna de resinas termoplásticas registra recuo de 4,7% de janeiro a setembro de 2015

07/12/2015 - 17:12

Mercado interno recessivo e perspectivas econômicas não favoráveis repercutem de forma negativa nos resultados do acumulado do ano

De janeiro a setembro de 2015, o conjunto das principais resinas termoplásticas produzidas no Brasil teve desempenho negativo. De acordo com a equipe de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a demanda interna por resinas, medida pela somatória das vendas internas mais as importações, registrou recuo de 4,7% em comparação ao mesmo período de 2014. As vendas internas tiveram queda de 1,5% no acumulado do ano, enquanto as importações exibiram redução de 12,9%. Nesse período, a produção teve elevação de 3,9%, notadamente pela alta das exportações, que cresceram 39,6%, especialmente pela existência de demanda nos mercados internacionais e necessidade de se manter a ocupação da capacidade instalada em patamares mais elevados, além da melhora ocasionada pela situação cambial.

Os números do ano estão sendo significativamente afetados pelos resultados do terceiro trimestre do ano, ocasião em que o declínio da demanda interna nacional por resinas termoplásticas chegou a 11,8%. Tradicionalmente, na química, o terceiro trimestre é o que concentra os maiores volumes de produção, vendas e demanda de todo o ano em função do maior volume para as encomendas de final de ano e início do ano seguinte. No entanto, o único dado positivo advindo do terceiro trimestre do ano continua sendo o de exportações, que cresceram 45,4% nos últimos três meses, sobre os volumes do terceiro trimestre de 2014. A produção manteve-se estável no período, com ligeira elevação de 0,1%. A expectativa do setor é que a dinâmica de retração de demanda continue no quarto trimestre do ano, impactando de forma negativa os números de 2015.

De acordo com a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, as principais cadeias que consomem resinas termoplásticas têm sofrido fortemente com a redução da demanda, tendo sido este um dos piores anos para a maioria delas, como a indústria automobilística, de construção civil, de embalagens, de linha branca, de descartáveis, entre outras. “Os números refletem o cenário desfavorável que o setor químico nacional tem vivenciado. O quadro atual de baixa competitividade da indústria, consequência da elevação dos custos de produção, particularmente no tocante às matérias-primas básicas, alta carga tributária e deficiências de infraestrutura, pode ser agravado com as incertezas em torno da política econômica do Governo Federal”, afirma Fátima Giovanna.

Em relação ao ganho de share no mercado internacional, a elevação observada no volume exportado de resinas termoplásticas foi puxada, especialmente, pelo conjunto dos polietilenos (PEAD, PEBD, PEBDL e EVA), que tiveram alta de 51,9%, de janeiro a setembro deste ano, em relação a igual período de 2014. Como resultado, houve melhora no saldo da balança comercial desse grupo de produtos. O déficit nacional passou de 519,6 mil toneladas de resinas de janeiro a setembro de 2014 para apenas 21,5 mil toneladas nos primeiros nove meses deste ano, representando uma queda expressiva em volume.

Medida pelo Consumo Aparente Nacional (CAN) - produção mais importação, excluindo as exportações - a demanda interna brasileira de resinas termoplásticas apresentou queda de 7% de janeiro a setembro de 2015 na comparação com mesmo período do ano anterior.

Outra variável que preocupa o setor e reflete a deterioração do ambiente interno de produção é a de utilização de capacidade instalada. Nos primeiros nove meses deste ano, as empresas operaram com 80% da sua capacidade de produção, um ponto percentual acima da utilização de igual período do ano anterior. Segundo Fátima Giovanna, para um segmento que opera em regime de processo contínuo, trabalhar com ociosidade de 20% não só é preocupante no curto prazo, como também desestimula a atração por novos investimentos no setor no médio prazo.

Vale lembrar que o Governo Federal anunciou o pacote de ajuste fiscal justamente em meio ao cenário recessivo atual, de redução das vendas no mercado interno, encolhimento da demanda e alta ociosidade na indústria química do País. Presente na base de diversas cadeias industriais, com forte penetração na economia e efeito multiplicador expressivo, na opinião de Fátima Giovanna, não se pode descartar o efeito inflacionário que essas medidas, com impacto direto nos custos de produção das empresas, poderão trazer. Além do mais, a pretendida redução em 50% do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), já em 2016, bem como o fim do regime em 2017, além da redução da alíquota do Reintegra, que vem na contramão, justamente em um momento em que o setor tem mantido produção com algum ganho de volume no mercado externo, e a possibilidade de elevação da já alta carga tributária, com algum imposto adicional sobre as movimentações financeiras, elevam a desconfiança das empresas e afastam possíveis investimentos. Ainda é importante ressaltar que os custos do setor já foram fortemente majorados em 2015 por conta da alta das tarifas de energia elétrica, da ordem de 30 a 40%, e pela retirada dos descontos do gás de produção local que, até o final do ano, terão impacto de mais 20%.

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